Itu registra aumento de quase 40% na abertura de empresas em 2025

 

Município soma 1.886 novos negócios até maio e reforça ambiente favorável ao empreendedorismo

Por Mariane Belasco 

Itu registrou um dos maiores crescimentos na abertura de empresas de sua história recente. Entre janeiro e 11 de maio de 2025, a cidade contabilizou 1.886 novos negócios, sendo 1.833 empresas, incluindo os Microempreendedores Individuais (MEIs), e 53 registros de trabalhadores autônomos.

O número representa um crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 1.319 empresas e 52 autônomos. O saldo positivo de 514 empresas e MEIs, além de um autônomo a mais, reforça a posição de Itu como um polo em expansão dentro do Estado de São Paulo.

Os setores que mais se destacaram nas novas aberturas foram imunização e controle de pragas urbanas, aluguel de equipamentos científicos, envasamento e empacotamento sob contrato, reparação de jóias e toalheiros. Também seguem em alta as áreas de beleza, comércio, alimentação e manutenção, de acordo com o perfil das capacitações promovidas pelo Centro de Capacitação Profissional (CCP), vinculado ao Funssol, à Secretaria Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social e ao Sebrae.

O crescimento das aberturas é atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles estão a desburocratização do processo de formalização, com a emissão automática de CNPJ e alvarás pelo portal gov.br, e o acesso facilitado a crédito. A Prefeitura de Itu, por meio da Secretaria de Emprego e Trabalho, também mantém iniciativas voltadas ao fortalecimento de pequenos negócios, como os postos do Sebrae Aqui, localizados na sede da Prefeitura e na Regional do Pirapitingui.

O Banco do Povo é outro aliado dos empreendedores locais, oferecendo, em 2025, R$ 4,5 milhões em linhas de crédito para micro e pequenas empresas, com possibilidade de financiamentos de até R$ 21 mil.

Capacitações e feiras empreendedoras também têm papel importante na formação de novos empresários. As ações são organizadas pelo CCP, em parceria com o Sebrae e outras instituições. Os cursos atendem principalmente jovens e pessoas em busca de inclusão produtiva.

De acordo com a contadora Érika Benvegnú, o cenário, apesar das dificuldades econômicas, oferece ao menos uma vantagem em relação ao passado: a possibilidade de começar de forma mais enxuta com o MEI. “O ambiente de negócios está difícil. Tá todo mundo muito sem dinheiro, o mercado está bem complicado. Mas o MEI dá uma segurança de redução de custo e permite sentir o mercado antes de dar passos maiores”, afirma.

Segundo ela, muitos novos empreendedores têm buscado o escritório de contabilidade para formalizar atividades de prestação de serviço. “Entre janeiro e maio, abrimos cerca de 30 novos MEIs só nessa área, de pessoas que vão prestar serviço para outras empresas e precisam emitir nota fiscal”, relata.

A contadora alerta, no entanto, que a formalização exige atenção. “Muita gente abre o MEI e esquece que abriu. Acha que não precisa de contador, mas mesmo sendo um modelo simplificado, o MEI é uma empresa vinculada ao CPF da pessoa e tem obrigações a cumprir. Existe um limite de faturamento mensal, que hoje é de R$ 6.750, e a pessoa não pode comprar mercadorias acima desse valor anual de receita”, explica.

Outra dificuldade enfrentada pelos novos MEIs é a falta de informação sobre as obrigações legais. “As pessoas chegam muito cruas. Não sabem quanto podem faturar, se podem ter funcionário, como emitir nota, ou que precisam entregar a parte de medicina ocupacional caso contratem alguém”, destaca. Ela também reforça que a soma do faturamento do MEI entra no cálculo do Imposto de Renda da pessoa física, o que pode gerar surpresas no ajuste anual.

Além disso, Érika alerta para o risco de golpes. “Logo que o MEI é aberto, a pessoa começa a receber e-mails dizendo que tem que pagar taxas, que o CNPJ vai ser bloqueado, ou até notificações extrajudiciais falsas. Isso acontece mesmo quando o registro é feito pelo site oficial do governo”, afirma.

Segundo a contadora, antes da criação do MEI, quem quisesse empreender precisava abrir uma empresa formal com custos mais altos. “Hoje, quem fatura, por exemplo, seis mil reais por mês, paga cerca de R$ 80 de imposto no MEI. Se fosse abrir uma microempresa, só de INSS já pagaria R$ 167, mais o DAS sobre o faturamento. O MEI permite fazer um caixa antes de crescer e desenquadrar”, explica.

Brasil em alta: MEIs lideram expansão nacional

Em nível nacional, os dados do Sebrae apontam que o setor de serviços lidera a abertura de novos negócios, com 63,6% dos registros nos cinco primeiros meses do ano. Na sequência, aparecem o comércio (21,4%), a indústria da transformação (7,5%) e a construção (6,7%). As atividades mais registradas entre MEIs em maio foram entrega de encomendas, transporte de cargas e publicidade. Entre micro e pequenas empresas, destacaram-se os serviços ambulatoriais e administrativos.

A tendência local acompanha o cenário nacional. Dados do Sebrae apontam que o Brasil registrou 2,21 milhões de novos pequenos negócios nos cinco primeiros meses de 2025, um aumento de 24,9% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os MEIs lideram esse crescimento em todo o país.

Em nota oficial, a Prefeitura de Itu parabenizou os novos empreendedores e reforçou o compromisso com o desenvolvimento econômico da cidade. “Queremos reforçar nosso compromisso: a Prefeitura, por meio da Secretaria de Emprego e Trabalho (que abrange também Indústria, Comércio, Serviços, Tecnologia e Inovação), e em parceria com o Centro de Capacitação Profissional (CCP), Sebrae, Banco do Povo e Governo do Estado, oferece apoio integral, desde a formalização simplificada e capacitação até o acesso a linhas de crédito. Estamos aqui para impulsionar seu negócio. Venha se formalizar, crescer e fazer parte do nosso desenvolvimento econômico”, diz a nota.

A expectativa para o segundo semestre de 2025 é de continuidade no avanço, com novas capacitações e programas em fase de planejamento para fomentar ainda mais o empreendedorismo e a geração de renda no município.

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